domingo, 25 de agosto de 2013

Descaso no Cemitério São Salvador.

Em meio a especulação imobiliária dos grandes centros, cada ano nossas cidades perdem suas áreas urbanas de valor patrimonial, portanto, portadoras de um duplo caráter: são bens de caráter artístico-cultural e são suportes da memória social portadoras de um valor histórico. Curiosamente até nos cemitérios a ineficácia de politicas e a desvalorização da memoria social geral o descarte de restos mortais e demolições de jazigos artisticamente confeccionados a décadas, que embelezam um panorama bucólico, para darem lugar a jazigos sem estética. E o caso corriqueiro do Cemitério São Salvador instalado em 1871 em Mogi, desde 2010 venho levantando dados referentes a jazigos com importância história e arquitetônica. Em três anos após o levantamento perdemos duas peças de valor inestimável. Jazigo da família Arouche de Toledo antigos tabeliões do município era composto de bustos dos patriarcas confeccionados em Mármore estilo Carrara e o Jazigo da família Mello Franco, único exemplar em estilo gótico, confeccionado em 1875. Ambos foram demolidos, dando lugar a túmulos com gavetas, aumentando a disponibilidade de local para sepultamentos.





Jazigo da Família Arouche de Toledo ( a cima)

Jazigo da Familia Mello Franco (a baixo)















segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Tortinho

Entre as inúmeras tradições da culinária de nossa Mogi das Cruzes, está o Tortinho, salgado vendido a mais de 50 anos na Festa do Divino Espírito Santo.  O Tortinho para os mogianos ou Bolinho Caipira, fora de Mogi, mas o importante nesta relação é a tradição na confecção da iguaria. Segue a história que o antigo bolinho caipira esta presenta em nossa culinária há anos, mas com a colonização portuguesa e espanhola em nossa região no final do século XIX a receita se modifica. Nas primeiras décadas do século XX as senhoras, deixavam de por uma medida exata de farinha de milho, substituindo por metade das medidas entre farinha de milho e mandioca. Desta forma a massa torna-se mais dura e crocante, diferente o antigo bolinho caipira massa um pouco molenga. No recheio pouco se mudou, sua base continua com a tradicional carne moída, mas a mogianos que a substitui por carne seca, deixando de ser Tortinho e virando o tradicional Jeguinho . A maior transformação durante as décadas foi no formado do salgado que tornou-se meia lua, deixando a antiga aparência de kibe.

Essa iguaria só foi introduzida na festa do divino após sua fase de decadência, pós anos 1940, sendo que na década de 1950 a festa ressuscita com outras tradições. O Tortinho em conjunto com o Afogado tornaram-se as estrelas da quermesse da Festa do Divino como entre outras festas pela a cidade de Mogi das Cruzes.

domingo, 18 de agosto de 2013

O Alto da Boa Vista, um "Remédio" para a memória.

O bairro Alto da Boa Vista ou mais conhecido como Remédios é considerado o primeiro bairro de nossa Mogi das Cruzes. Primeiramente suas terras eram pertencentes à Chácara de Gaspar Vaz, bandeirante fundador de Mogi das Cruzes em 1610. No século XIX as primeiras moradias de taipa eram erguidas nas encostas originando a formação do bairro. No passado geograficamente havia grandes problemas, pois a organização urbana foi se aglomerando nas encostas, outro agravante era o rio que corta do centro para o bairro, criando uma vale. Neste local no final do século XIX foi construída uma Bica onde lavadeiras lavavam roupas de inúmeras famílias da cidade. Nos anos 1960 toda a área foi revitalizada e tornou-se praça, mas o rio foi canalizado em péssimas formas, gerando inúmeras enchentes no local por mais de 40  anos. Na gestão do prefeito Francisco Ribeiro Nogueira (1993-1994), iniciou-se uma reforma visando melhorias nos encanamentos e na Praça conhecido como Largo primeiro de setembro. Infelizmente Francisco Nogueira não pode concluir as obras, sofre um infarto e morre em 1994, seu vice Manoel Bezerra de Melo concluir as obras e inaugura no local do largo, um busco homenageando seu antecessor. Desde 1996 não a registros de enchentes no local, deixando comerciante e moradores tranquilos.  O bairro com suas particularidades foi homenageados em uma tela pintada pelo renomado Artista Plástico Alfredo Volpi na década de 1970, o pintor traça em sua tela uma bela paisagem da Rua Major Arouche de Toledo, onde podemos comparar foto e tela abaixo.


Hoje o bairro dos Remédios reúne um seleto grupo de moradores tradicionais, a famílias que vivem no bairro a gerações, reunindo tradições e em suas moradas, preserva traços de nossa arquitetura. Andar pelo bairro para alguns gera um saudosismo, casas sem garagem, ruas pequenas e estreitas, vizinhos conversando entre janelas. Mogi das Cruzes se evoluiu, mas os Remédios guardou em si a essência de nossa Mogi.