domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Diário de Mogi: Mogi discute mudanças no brasão


Na próxima sexta-feira, os secretários municipais de Cultura, Mateus Sartori; de Educação, Rosemary Rogerro, e de Segurança, Eli Nepomuceno, darão início a uma discussão que promete se estender à sociedade civil: a utilização do brasão oficial em todos os prédios públicos, placas, documentos, e uniformes de alunos da Rede Municipal de Ensino, em substituição aos slogans e logomarcas, que mudam a cada nova gestão.
Por conta do pleito eleitoral do ano passado, segundo informações da Prefeitura, os departamentos e patrimônios do Executivo já não estão mais com essas marcas. A ideia do prefeito Marco Bertaiolli (PSD) é mantê-los limpos de possíveis identificações partidárias que os futuros prefeitos pensariam em implantar como, até então, era de costume.
Bertaiolli se apoia no fato de que cada vez que o prefeito muda ou há eleição municipal, esse material publicitário é trocado, causando ônus aos cofres públicos. Além disso, o uso do brasão oficial e a frase “Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes” já seriam suficientes para identificar o patrimônio e, mais ainda, resgatar o símbolo cívico que, na visão de alguns historiadores, possuem diversos elementos que caracterizam Mogi.
A discussão entre os secretários, no entanto, seria no sentido de analisar a necessidade de uma modernização dessa identificação visual, tanto no desenho em si, criado em julho de 1931 pelo Ato nº 48 instituído pelo então prefeito Coronel Eduardo Lejeune, de autoria do diretor do Museu Paulista, Affonso de Taunay e desenhado por J. Wasth Rodrigues, como da frase “Prefeitura..”, pois já há quem diga que o brasão foi criado pensando em vila e Mogi já é uma cidade razoavelmente grande.
A intenção de Bertaiolli é encaminhar um projeto de lei à Câmara Municipal determinando a extinção dos slogans e logomarcas e fomentando os debates sobre o assunto.
O professor e historiador, Glauco Riccieli fez um trabalho, recentemente, de avaliação do brasão oficial. Ele é composto por dois bandeirantes, que seriam os protetores do escudo. Um deles, empunha a bandeira de Santana, padroeira de Mogi e o outro um arcabuz, que é uma arma antiga. O escudo principal, conhecido como gibão, está espetado com três flechas para simbolizar as duras lutas que os mogianos tiveram de enfrentar. Para ser desenhado, ele foi baseado como o que aparece em um quadro de Debret, que é a única iconografia documentada da vestimenta de um bandeirante. A obra chama-se “Combate aos índios Botocudos com soldados milicianos de Mogi das Cruzes”.
“Já os cinco escudetes que existem no brasão recordam e simbolizam uma série de fatos da história local com as armas de Braz Cubas e de Braz Cardoso; o Rio Tietê, “M`boygi`”, o Rio das Cobras; três cruzes da Ordem de Cristo; duas coroas murais de ouro uma roda dentada de engrenagem que quer mostrar a industrialização da Cidade”, explica o historiador.
Porém, há uma falha no brasão apontada por Riccieli. Dois ramos laterais junto aos pés do escudo principal representam as plantações e fumo e de cana, que não são típicas de Mogi. O que faz o símbolo ser ainda mais discutido é o fato de em cima conter três torreões que simbolizam Vila e, como já está sendo dito, a Cidade não é mais uma Vila. Historiadores procurados para comentar o debate não se manifestaram, alegando que há outros assuntos mais importantes para se tratar. (Sabrina Pacca)

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