domingo, 1 de abril de 2012

A Semana Santa em Mogy


Para o catolicismo a Semana Santa, período que abrange desde o Domingo de Ramos ao Domingo da Ressurreição é o ápice da fé cristã. As tradições em volta desde período são carregadas de simbolismo, que dependendo da região pode-se modificar. Neste caso a Procissão do Fogaréu em Goiás tradicionalmente ocorrida às 0h00 da manhã de quarta-feira, veio para o Brasil com alguns padres espanhóis. Para quem não conhece esta procissão, a primeira impressão é de ser um culto profano. Mas seu significado está baseado na encenação da prisão de Jesus Cristo e tem início às 0:00 com a iluminação pública apagada e ao som de tambores, à porta da Igreja da Boa Morte, na praça principal da cidade. Os penitentes, vestidos em indumentária especial e representando soldados romanos, seguem então para a escadaria da Igreja de N. S. do Rosário, onde encontram a mesa da última ceia já dispersa. Em seguida, avançam na direção da Igreja de São Francisco de Paula, que simboliza o Monte das Oliveiras, onde se dará a prisão de Cristo. Este é representado por um estandarte de linho pintado em duas faces, obra do artista plástico oitocentista Veiga Valle.



          Em nossa Mogi das Cruzes esse culto não é realizado como em Goiás, nossas tradições se originaram em conjunto com as tradições Paulistas e Mineiras e estas sucessivamente se espelharam no culto Romano Apostólico. A Catedral de Sant’Anna e as Igrejas do Carmo se revestem de simbolismo, com inicio das celebrações a partir do Domingo de Ramos, onde o Bispo abençoá ramos de Palmeiras e Oliveiras lembrando a entrada de Jesus em Jerusalém. 



"E, dito isto, ia caminhando adiante, subindo para Jerusalém. E aconteceu que, chegando perto de Betfagé, e de Betânia, ao monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discípulos, dizendo: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda montou; soltai-o e trazei-o. E, se alguém vos perguntar: Por que o soltais? assim lhe direis: Porque o Senhor o há de mister. E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes dissera. E, quando soltaram o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que soltais o jumentinho? E eles responderam: O Senhor o há de mister. E trouxeram-no a Jesus; e, lançando sobre o jumentinho as suas vestes, puseram Jesus em cima. E, indo ele, estendiam no caminho as suas vestes. E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, Dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas. E disseram-lhe de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; e te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação." (Lucas 19:28-44)



          Na quinta-feira inicia-se o Trido Pascal, com a missa dos santos óleos (Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos) e a renovação dos votos sacerdotais para todos os padres da Diocese de Mogi. Na noite da quinta-feira também ocorre a Missa de Lava-pés. Nesta celebração o Bispo vala e beija os pés de 12 fiéis relembrando a mesma ação feita por Cristo, após esse momento o celebrante relembra a instituição da eucaristia onde Jesus suplica para nós fiéis que sempre relembre este momento por toda a eternidade. Ao final desta missa os fiéis retiram a toalha do altar, simbolizando que cristo está preso esperando por seu suplicio. Já o Bispo após este momento expõe a santa eucaristia para que os fiéis permaneçam em vigília até a madrugada da sexta-feira.

“Ora, se Eu Senhor e mestre, vos lavei os pés, vós deveis, também, lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, assim como Eu vos fiz, façais vós também.” João (13:14 e 15)

“E tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o meu corpo, que é partido por vós, fazei isto em memória de mim...” (Cor. 11:24 e 25)



          A sexta-feira santa é a única data onde não se ocorre missa em nenhum local do mundo, nesta data é feita apenas uma celebração em memória da morte de Jesus pontualmente às 15h00. O inicio desta celebração se destaca com a entrada do bispo e os fieis todos em silencio, ao chegar no presbitério o bispo se prostra diante do altar tirando os sapatos, o anel e a cruz peitoral, e toda a roupa litúrgica ficando apenas com uma alva branca. Isto simboliza nossa compaixão e insignificância perante a morte do filho de Deus. Na noite da sexta-feira às 19:00 ocorre a Procissão do Senhor Morto.Procissão que lembra em muito as ocorridas em cidades de Minas Gerais, se utiliza matracas todo o povo se reveza para carregar os andores do Senhor Morto e Nossa Senhora dos Dores.



          No sábado se celebra a Missa da Vigília Pascal, onde o Bispo faz a benção do Círio Pascal, uma grande vela onde após ser acesa, será utilizada nas cerimônias de Batismo, Primeira Eucaristia e Crisma.



          O Domingo é o dia mais esperados pelos católicos, a uma procissão realizada a partir das 5h30 na frente da Catedral, culminando em uma missa que relembra e comemora-se o momento que Jesus ressuscitou, passando para nós que além da morte existe um recomeço. Este dia se torno o mais importante para o catolicismo e encerra o ciclo pascal. A uma curiosidade que atualmente esta ao alcance apenas do clero. A Pasquela é a denominação dada para o descanso dos fieis na segunda-feira, pois com uma semana conturbada de celebrações é impossível repousar. 


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