sexta-feira, 30 de março de 2012

MOGIER: CULTURA & CONHECIMENTO

AGUARDEM! EM BREVE...


terça-feira, 27 de março de 2012

Parte I - Hanseníase: Prisioneiros do estigma.


Hospital Colônia Santo Ângelo – Mogi das Cruzes-SP.

Autores:
Glauco Ricciele P. L. C. Ribeiro
Historiador

Valéria Rocha Macedo 
Psicologa 


Em 29 de março de 1995 o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinou a Lei 9 010, que diz, em seu Artigo 1º: “O termo ‘lepra’ e seus derivados não poderão ser utilizados na linguagem empregada nos documentos oficiais da Administração centralizada e descentralizada da União e dos Estados-membros”. No Artigo 2º são listados os termos que podem ser usados. Em vez de lepra, hanseníase. O termo “leproso” dá lugar a “doente de hanseníase”.  “Lepra” é uma palavra estigmatizada. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa diz que, no sentido figurativo, “leproso” é aquele cujo convívio é maléfico ou extremamente desagradável, uma pessoa perversa, ruim, que provoca repulsa, nojo.

Historicamente a humanidade sofre com a hanseníase, citações bíblicas registram o grave fato e suas consequências. Mas com a colonização do Brasil e seu fluxo alto no inicio do século XX a hanseníase se prolifera rapidamente nas grandes metrópoles. Na cidade de São Paulo as casas dos infectados eram marcadas e interditadas, já as pessoas infectadas deveriam utilizar um pequeno sino ao andar pelas ruas, alentando os demais cidadãos. Neste cenário conturbado o Governo de São Paulo cria Hospitais Colônias em cidades polos em todo o Estado.

Mogi das Cruzes foi uma das escolhidas por estar geograficamente entre a Capital e o Vale do Paraíba. O Hospital Colônia Santo Ângelo foi inaugurado em 1928, comportou 5000 pacientes na década de 1940. Toda sua estrutura era baseada no sistema Americano “Carvilles”. O hospital era uma mini cidade, composta por Casas, Teatro, Delegacia, Barbearia, Moeda própria, Igreja e Cemitério, etc. Viver neste contesto não era fácil, privações e infelicidades eram vivenciadas diariamente.


Fatores psicológicos do confinamento

A exclusão existe desde o tempo do Império e da República, portanto ela tem uma história em nossa sociedade. A exclusão do ponto de vista psicológico torna o ser humano um objeto de distinção, sendo constituído como uma categoria a parte. Essa questão importante norteou o dia a dia dos cidadãos internados no Hospital Colônia Santa Ângelo, e tornou o grupo de indivíduos, com um grupo de leprosos.

A exclusão vivida pelos portadores de hanseníase traz do ponto de vista social dois mediadores importantes: os estereótipos e os preconceitos, que se alimentam de um discurso social, qual era o discurso “leprosos precisam ficar isolados”. O que isso trouxe para esses indivíduos? Segregação social, rompimento de vínculos afetivos em especial com a família, que tem papel fundamental para o desenvolvimento psicológico do ser humano no sentido de auxiliar na construção de vínculos morais, afetivos e sociais, e a impossibilidade do sujeito colocar-se em um lugar de construtor de seu próprio direito, neste caso, um dos direitos, viver em sociedade.


Nas próximas postagens continuaremos escrevendo o cotidiano no Hospital Colônia Santo Ângelo.

terça-feira, 20 de março de 2012

Fatos de Mogy – III: São as águas de março fechando o verão


As enchentes são fatos que ainda aflige a população Mogiana. Desde a instalação do aldeamento em 1600, os bandeirantes já se preocupavam com a elevação das águas do antigo Rio Anhembi, hoje Tietê. Geograficamente Mogi foi fundada em um terreno alto, uma planície onde hoje se encontra o atual centro da cidade, o quadrilátero das ruas ( Antonio Cândido Vieira, José Bonifácio, Dr. Deodato Wertheimer e Ricardo Vilela). Este pequeno espaço entre as ruas citadas era segura e razoavelmente elevado comparando comparado com o nível das cheias. A população da jovem Vila de Sant’Anna de Mogy-Mirim, teoricamente era livre das enchentes.

Com o passar dos séculos o problema foi aumentando, em conjunto com a degradação e urbanização em torno do Rio Tietê e seus afluentes como Ribeirão Ipiranga, Córrego dos Canudos, Córrego Lava-pés e Rio Negro, prejudicando ano a ano Mogi. Bairros são conhecidos pela população em virtude dos números casos de enchentes, Mogilar, Ponte Grande, Rodeio e áreas Centrais, convivem cara a cara com o inimigo silencioso. Cabe a Poder Público conscientizar e prevenir tais catástrofes. Um exemplo foi à construção do Piscinão na segunda gestão do prefeito Junji Abe, retendo boa parte das águas que poderiam alagar as áreas baixas do novo centro. 

Cabe a nós sociedade prevenir o despejo de lixos nas ruas, rios e terrenos, tais atos, tem grande peso na problemática das enchentes. Sistemas estão sendo criados na cidade para suprir a demanda do descarte de lixo não orgânico (Reciclagem exemplo: Eletrônicos, pilhas, pneus, lâmpadas e etc.). Os ECOPONTOS criados recentemente em 2011 pela secretária do Verde e Meio Ambiente são locais de coleta destes itens não orgânicos, facilitando ao morador descartar itens pouco recolhido pelo sistema de coleta, em alguns casos são eliminados nas ruas ou em terrenos. Como dizia o poeta Tom Jobim “São as águas de março fechando o verão”, poeticamente a frase traduz a passagem das estações e consigo o amor dialogado, inquestionável. Mas na realidade as “águas de março” se transformam na frase “É pau, é pedra, é o fim do caminho” traz consigo tragédias, decepções e lamento, até quando os brasileiros irão sofrem com estas intemperes.

Obs.: As fotos abaixo retratam enchentes nos anos 30, 40 e 90. Todas enfatizando o bairro do Mogilar e Ponte Grande.

Fonte: Fotos do Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes. 








































segunda-feira, 19 de março de 2012

Fatos de Mogy - II

A dinâmica em torno das ruas de nossa Mogi sempre foi contraditórias. Ruas e becos surgiram com as necessidades de ir e vir desde a vila à formação da cidade. Com o advento do automóvel as ruas estreitas e para alguns mal planejadas, dificultou o transito de poucos carros a partir dos anos 30. Na foto abaixo está registrado um acidente entre dois carros no cruzamento das ruas José Bonifácio com a Dr. Deodato Wertheimer, possivelmente este fato ocorreu nos anos 50. Mas os problemas em torno do transito em Mogi, cresceram junto com a cidade. Congestionamentos, e acidentes em cruzamentos são corriqueiros em nossa Mogi de hoje, “o futuro repetindo o passado”.




domingo, 18 de março de 2012