sexta-feira, 27 de maio de 2011

Bandeirantes: O cotidiano na Vila de Sant’Anna de Mogi-Mirim




             O cotidiano dos bandeirantes não era uma tarefa fácil, mas árdua, sua sobrevivência era calcada dia a dia durante as bandeiras que percorriam sertões e matas fechadas a procura de indígenas (a caso de tribos antropófagas no estado de São Paulo) e ouro. Quando as ações no sertão cessavam, as bandeiras se dispersavam e finalmente o bandeirante seguia ao encontro de seus familiares em suas vilas.

            Na vila de Sant’Anna de Mogi-Mirim (futura cidade de Mogi das Cruzes), as condições de vida eram basicamente ligadas à agricultura e os resultados obtidos nas bandeiras como o comércio de escravos e a extração de ouro. A pequena vila contava com menos de 1.000 habitantes nas imediações da Igreja Matriz, durante o inicio do século XVII. Suas ruas nasceram da necessidade de locomoção de uma fazenda para outra, sendo assim cinco ruas principais as atuais ruas Ipiranga (sentido vila de São Paulo de Piratininga), Dr. Corrêa (sentido Vale do Paraíba e a Capitânia de Sebastião do Rio de Janeiro) antiga estrada real, José Bonifácio, Paulo Frontin e Flaviano de Melo.

            As moradias bandeirantistas por muitas eram simples em suas construções e acomodações, não por falta de recursos financeiros e mão de obra, mas pela dificuldade de transporte de bens vindos da metrópole ibérica ou mesmo de grandes vilas como São Paulo de Piratininga e Minas Gerais. Em geral as casas eram construídas em um pavimento único composta de paredes de taipa de pião e telhado de sapê ou de telhas de barro rústicas. O mobiliário era simples composto por móveis feitos de madeira, utensílios em geral de barro ou ferro, entre o mobiliário destacam-se mesa, candeeiro, arca/baú, tamboladeira (vasilha), baixela/prato de barro e redes para dormir. As camas em principio vinham de Portugal desta forma seu custo era muito elevado para grande parte das famílias, sendo assim utilizavam-se as redes. Os talheres passaram a não fazem parte do cotidiano, desta forma a influência indígena marca a vida dos bandeirantes, sendo assim mais cômodo se alimentar com a mão direta utilizando o polegar, o indicador e o dedo médio em forma de pinça.

            Em relação aos bens podemos analisar o testamento de Francisca Cardoso esposa de Gaspar Vaz, falecida em 11 de março de 1611, neste documento encontramos informações importantes sobre bens e objetos valorizados naquela época. No testamento a vinte sete bens citados e avaliados entre eles:

“Diogo escravo de Guiné e sua mulher Lucrecia e seu filho Domingos todos de Guiné avaliados em quarenta mil réis”;
“Um colchão vazio em três cruzados”;
“Uma caixa usada avaliada em cinco cruzados”;
“Seis foices novas e quatro velhas avaliadas em dois mil e quinhentos e sessenta réis”;     
“Duas toalhas de mão e quatro guardanapos avaliados em uma pataca e meia”;
“Quatro arroubas de algodão seis patacas”,
“Oito porcos mal cevados avaliados em quinze cruzados”.

            Fica evidente a importância de alguns tipos de bens que eram fundamentais para sobrevivência naquele período de fundação de nossa futura cidade. Outro ponto importante a ser analisado na vida dos bandeirantes refere-se a sua alimentação, que pela influência indígena muito se modificou. Basicamente a alimentação era composta de raízes e seus derivados (mandioca, cará, fubá, farinha de mandioca, etc.), cereais e seus derivados (milho, canjica, farinha de milho, etc), frutas (banana, abacaxi, maracujá, etc), carnes (peixe, porco, paca, capivara, tartaruga, anta, tatu, veado e etc). Havia alguns alimentos curiosos como ovos de jabuti e formigas (Içá) torradas.

            As atividades sociais da vila de Sant’Anna de Mogi-Mirim se resumiam em atos públicos e festas religiosas. O primeiro refere-se a ações públicas organizadas pela câmara municipal, como uma eleição ou leitura de ordens vindas do reino ou da província. A segunda remete-se puramente ao catolicismo, casamentos, missas e festas canônicas (Páscoa, Pentecostes, Corpus Christi, Natal, etc) e festas populares (Festa do Divino, São Benedito, Nossa senhora do Carmo, etc), estas atividades eram o pouco do “lazer” que a população podia contar, nessas ocasiões era o momento das famílias mostrarem o quanto eram poderosas e ricas, ostentando suas lindas roupas em grande parte vinda de Portugal.

             Com essa análise da vida do bandeirante fica evidente para nós mogianos, a trajetória e as transformações que perpetuam até nossos dias em forma de tradições nosso cotidiano sendo em nossa alimentação ou transparecendo nossa fé ao cultuarmos alguns santos populares em nossa cidade como na Festa do Divino Espírito Santo, que nos remete a mais de 300 anos de história, tradição e fé.

Bibliografia:
MACHADO, Alcântara. Vida e Morte do Bandeirante. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006.

GRINBERG, Isaac. Gaspar Vaz: fundador de Mogi das Cruzes. São Paulo, 1979.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Deuses do Samba

Infelizmente a vida é curta e tira de nosso convívio grandes gênios que honrosamente nos deixaram obras inesquecíveis. No samba faz falta figuras como Adoniran Barbosa, Cartola e Nelson Cavaquinho, personagens que marcaram época e estilo musical. Mestres onde estiveram, por favor, mandem inspiração para as pobres mentes do mundo do samba.  Estamos precisando... URGENTE!

Adoniran Barbosa, Billy Blanco, Cartola e Nelson Cavaquinho






segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mogianos

     Esta serie de videos vem para retratar nossa Mogi das Cruzes em diferentes aspectos. Espero que gostem e possam enviar sugestões de temas para futuras produções.













sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexta-feira 13

Para todo bom supersticioso, a sexta-feira 13 é uma data com grande peso negativo. Dia para poucas conversas importantes e/ou fechar negócios. Vejamos como nasceu está data, segundo as tradições católicas.
Segundo antigos escritos no ano de 1375, houve uma armadilha feita pelo Papa Gregório XI, contra a Ordem dos Cavalheiros Templários. Nesta ocasião o papa ordenou que fossem queimados todos os grandes lideres da ordem as 3h00 da madrugada. Com essa atitude o pontífice se livraria definitivamente dos templários, ordem que ganhava cada vez mais adeptos e se fortalecia financeiramente. A partir de 1375, todas as sextas-feiras 13 tornar-se-iam amaldiçoadas.
Outra lenda diz respeito ao “horário das trevas”. A quem acredite que as 3h00 da madruga de uma sexta-feira 13 é o momento onde ”demônios” se libertam para promover o mal na terra. Neste caso os ”demônios” utilizam as 3h00 da madruga em forma de deboche copiando as 3h00 da tarde hora em que Jesus Cristo morreu (sexta-feira santa).  
Mas toda essa história não passa de uma lenda. Portanto a sexta-feira 13 não passa de mais um dia convencional, como todas as sextas-feiras. Dia este para curtirmos com nossos amigos e namorada o início de um belo final de semana!
Boa sexta-feira 13 a todos e um ótimo final de semana!!! Abraço... 

domingo, 8 de maio de 2011

Centro Cultural Dona Mariquinha

          No mês de abril de 2011 foi criado o Centro Cultural Dona Mariquinha, organizado pelo grupo Frontispício. Este centro terá com finalidade a difusão da Arte em geral em  Mogi das Cruzes. No mês de maio a empresa Dialética Cultural representada por Glauco Ricciele, Angelo Nanni e Sergio Damy, entrou como parceira na centro cultural. Os primeiros trabalhos serão pautados na limpeza, restauração e catalogação de inúmeros itens históricos que estão no local a décadas. Atualmente o Casarão pertence a João Benedito Camargo .


Por gentileza. Precisamos de doações de caixa arquivo e pastas para acondicionar documentos, revistas e jornais antigos. Os interessados favor entrar em contato pelo e-mail: glaucohistoria@limao.com.br


Profª Mariquinha

Centro Cultural Dona Mariquinha













quinta-feira, 5 de maio de 2011

COSIM - Companhia Siderúrgica de Mogi das Cruzes

A construção da Usina de Mogi das Cruzes foi iniciada em setembro de 1942, começaram a produção de ferro gusa em 1944, a de aço em 1945 e a laminação em 1947. Por dificuldades financeiras a Mineração Geral do Brasil Ltda, entrou em concordata, paralisando suas atividades em janeiro de 1965.
O Governo Federal decidiu intervir e pelo decreto-lei nº 280, de 28.02.1967, entregou à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a responsabilidades de promover a reabilitação técnica da Usina de Mogi das Cruzes, formular programas de investimento e criar a Comissão Organizadora da Cosim.
Até que esta nova empresa estivesse em condições de operar , a Usina de Mogi das Cruzes, foi atribuída a CSN, futura detentora da maioria das ações (seguida da INPS), a missão de explorá-la, em regime de comodato.
Um ano após, a 26.07.1968 , fundava-se a COSIM (Companhia Siderúrgica de Mogi das Cruzes), que começou a operar, a 01.09.1968. Suas atividades duraram apenas uma década e meia, a COSIM fechou definitivamente suas portas na década de 1980.
Durante os anos 90 a INAL, adquiriu as dependências da antiga COSIM. No dia 30.08.1998 a COSIM foi implodida as 9h00.     





      

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Temido São Benedito

As comemorações em torno de São Benedito em Mogi, curiosamente ocorrem no mês de abril, mas não sabemos o real intuito das festividades nessa época do ano. O dia reconhecido pela Igreja Católica para as comemorações do santo ocorre em 5 de outubro. Mas quando citamos algo sobre São Benedito em Mogi das Cruzes, sempre haverá uma curiosidade ou questionamento referente o santo. Desde o Período Colonial São Benedito é cultuado em nossa cidade, várias histórias e lendas foram passadas entre gerações até nossos dias. Mas a partir de pesquisas este mito em torno do santo está sendo desconstruído, vejamos uma das histórias:

O jornalista Isaac Grinberg em seu livro “Folclore de Mogi das Cruzes”, relata uma lenda em torno de São Bendito. O caso ocorreu no ano de 1879.

"Passava a procissão de São Benedito. Mas como os pais não queriam que a família homenageasse o santo preto, fecharam-se as janelas da casa. E para distrair a pequenina, que queria ver a procissão, deram-lhe pipoca. Mas foi só a criança botar uma na boca, engasgou-se e morreu!..."


A lenda da “Menina da Pipoca” não ocorreu, o único fato verdadeiro esta na morte da pequena criança ocorrido no dia 20 de junho de 1879. A causa do falecimento de Benedicta Georgina filha do então senador mogiano Manuel de Almeida Mello Freire, não foi asfixia por ingestão de pipoca, mas por uma pequena porca metálica que se soltou do berço.

Esta lenda nasceu em um momento conturbado da história brasileira. O fim da escravidão iniciou grandes discussões a respeito da liberdade da população negra. Supomos que o fato que podemos apurar sobre a criação desta lenda, está pautado em São Benedito, um santo negro que puniu uma família que não o cultuou. Na mentalidade da população mogiana, criar tal fato fortaleceria a cultura negra na cidade, ao mesmo tempo demonstra a superioridade de um santo negro sobre uma família aristocrática com forte poder político e a favor da escravidão.

Sabemos que o reflexo desta lenda pendura até hoje. Durante o dia 2 de novembro (Finados) no Cemitério São Salvador, o túmulo da pequena menina é venerado por inúmeras mães que pagam promessas por eventuais problemas de saúde ocorridos com seus filhos. O ex-voto é pago em formato de velas, flores, doces e brinquedos. Mas um símbolo no túmulo  fortalece a lenda. Há uma estatua da menina desfalecida, com pétalas de flores nas mãos, que muito se parece com as traiçoeiras pipocas.






Breve História de São Benedito

São Benedito nasceu na Sicília, 31 de Março de 1524 e faleceu em Palermo, 4 de Abril de 1589.

Algumas versões dizem que ele nasceu na Sicília, sul da Itália, em 1524, no seio de família pobre e era descendente de escravos oriundos da Etiópia. Outras versões dizem que ele era um escravo capturado no norte da África, o que era muito comum no sul da Itália nesta época. Neste caso, ele seria de origem moura, e não etíope. De qualquer modo, todos contam que ele tinha o apelido de “mouro” pela cor de sua pele. Foi pastor de ovelhas e lavrador.

Aos 18 anos de idade já havia decidido consagrar-se ao serviço de Deus e aos 21  um monge dos irmãos eremitas de São Francisco de Assis chamou-o para viver entre eles e aceitou. Fez votos de pobreza, obediência e castidade e, coerentemente, caminhava descalço pelas ruas e dormia no chão sem cobertas. Era muito procurado pelo povo, que desejava ouvir seus conselhos e pedir-lhe orações.

Cumprindo seu voto de obediência, depois de 17 anos entre os eremitas, foi designado para ser cozinheiro no Convento dos Capuchinhos. Sua piedade,sabedoria e santidade levaram seus irmãos de comunidade a elegê-lo Superior do Mosteiro, apesar de analfabeto e leigo, pois não havia sido ordenado sacerdote. Seus irmãos o consideravam iluminado pelo Espírito Santo, pois fazia muitas profecias. Ao terminar o tempo determinado como Superior, reassumiu com muita humildade mas com alegria suas atividades na cozinha do convento.
Sempre preocupado com os mais pobres do que ele, aqueles que não tinham nem o alimento diário, retirava alguns mantimentos do Convento, escondia-os dentro de suas roupas e os levava para os famintos que enchiam as ruelas das cidades. Conta a tradição que, em uma dessas saídas, o novo Superior do Convento o surpreendeu e perguntou: “Que escondes aí, embaixo de teu manto, irmão Benedito?” E o santo humildemente respondeu: “Rosas, meu senhor!” e, abrindo o manto, de fato apareceram rosas de grande beleza e não os alimentos de que suspeitava o Superior. São Benedito morreu aos 65 anos, no dia 4 de abril de 1589, em Palermo, na Itália.

Na porta de sua cela, no Convento de Santa Maria de Jesus de Palermo se encontra uma placa com a inscrição em italiano indicando que era a Cela de São Benedito e embaixo as datas 1524-1589, para indicar as datas do nascimento e de sua morte. Alguns autores indicam 1526 como o ano de seu nascimento, mas os Frades do Convento de Santa Maria de Jesus consideram que a data certa é 1524. Todos os anos a seguir à Páscoa, há uma missa e festa em sua honra na localidade portuguesa de Coval, concelho de Santa Comba Dão

Diz o Ofício Litúrgico de São Benedito do próprio da Ordem Franciscana: "Benedito que pela sua cor preta foi chamado o santo preto". Benedito era de família descendente da África. Seus avós eram etíopes. Benedito, portanto, tinha a pele de cor negra. Uma piedade falsa dos séculos 19 e 20 (até os anos 50) queria atribuir uma cor de pele morena, quase branca, ao nosso santo, como se não ficasse bem a glorificação nos altares da raça negra. Assim como Benedito, também Santo Elesbão e Santa Efigênia são de cor negra e deram muitas glórias ào Senhor e à Igreja.